10.11.05

Anti-Vinícius (de Moraes)

Estava embalando umas tralhas (sim, a saga da mudança continua... Parte mil...) quando dei de cara com uma matéria do caderno Ela, do Globo, que não tinha lido. Era sobre um livro da redatora publicitária gaúcha Cláudia Tajes. O título: A vida sexual da mulher feia. Ainda não li, mas prometo que vou. A beleza me interessa, mas a feiúra sempre me foi mais interessante. Narizes estranhos. Cabelos esquisitos. Roupas desengonçadas. Nada grotesco, porque ainda não cheguei a esse estágio de loucura ou evolução. Quem sabe um dia?

Alguns trechos do livro:
“Toda mulher feia se diverte como se cada festa fosse a última.”
“Enquanto a mulher bonita chega cercada por mistério, economizando nos sorrisos e nas palavras, a mulher feia se desvenda logo na entrada, cumprimentando os convidados um a um e distribuindo sorrisos até para os seguranças.”
“Minha pele, meus cabelos, minha boca, minhas pernas nunca se pareceram com essas mesmas partes que, desde cedo, vi nos comerciais de sabonetes, cremes e xampus.”

7.11.05

Homenagem à Marlene e Isaías

Algumas boas razões para morar em um condomínio (prédio com síndico e porteiro também serve):
1. Você não precisa pensar no que acontece com a água depois que ela escorre pelo ralo. Simplesmente desaparece sem deixar vestígios, até que você precise dela novamente a abra a torneira.
2. Com a energia, idem. Apertou o interruptor, não acendeu? Duas opções. A primeira é trocar a lâmpada; a outra, chamar o porteiro.
3. Alguém passa todo dia, à mesma hora, na sua porta para recolher o lixo.
4. Questões como grama, flores e esterco para o jardim não são obrigação sua.
5. Tem garagem com carrinho de compras.
Em uma casa, tudo isso e mais um pouco é com você mesmo. Cansa. Às vezes emputece. Mas dá prazer. Pelo menos para aqueles que têm um pezinho no masoquismo...
PS: O título é para dois funcionários queridíssimos do prédio que espero, em breve, abandonar.

2.11.05

Baependi é logo ali

Por sugestão do Juca, vou contar a história da metade mineira da minha família. Essa metade refere-se ao meu pai, Dr. Guilherme, que nasceu e cresceu grande parte da vida numa cidade do sul de Minas chamada Baependi. Oswald de Andrade já avisara:
"No baile da corte
Foi o conde d'Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí."
Então, continuando a saga Lara Leite. Meu pai é filho de uma senhora culta, inteligente e poeta, como algumas senhoras da época costumavem ser. Meu avô era o médico da cidade, e por isso foi prefeito também. Uma tradicional família mineira, inclusive no que diz respeito aos hábitos etílicos e literários. Mas estou devaneando... A história do Juca era sobre o coreto.
Pois é. Baependi tinha e tem um coreto na Praça da Matriz (claro que há uma matriz!). E na década de 80 era hábito adolescente fazer o footing por lá. Meninos e meninas rodando como piões em torno da praça. Acredite, era a década de 80 mesmo, eu juro. E depois de algumas voltas, escolhido o parquesequeriaperfeito, subia-se para o coreto. O lugar, visto de qualquer lugar da praça, não era nada discreto. Mas a idéia era se afastar do chão, talvez. E destacar-se dos outros que continuavam girando.
Pois é, tenho um coreto na minha historinha. E uma cidade com matriz, bares com hora de voltar, cachoeiras. Fico pensando se minha filha vai ter...
Baependi? Vai lá: http://www.baependi.mg.gov.br/. E não esqueça de provar o picolé de tangerina do Tinho. Delícia.